sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Reação Decente

A reação de alguns professores da rede estadual que “furaram” o movimento grevista, por opção, é um sinal claro de que suspender as aulas, pôr o cumprimento do ano letivo em risco e ainda comprometer o aprendizado – e, assim, o futuro – de milhares de estudantes já não é mais consenso no setor.

Muitos dos professores que resolveram manter o calendário de aulas, a despeito da decisão do sindicato que os representa, crêem que é necessário adotar outras formas de pressionar em defesa dos seus direitos – de preferência que não sejam prejudiciais aos alunos. Seria melhor ainda se esse entendimento se propagasse mais dentro da categoria.

Os professores também já estão cientes de que em muitos casos a motivação das greves é mais política do que propriamente técnica ou administrativa. Em que pese concordarem que há dificuldades, e muitas, a serem vencidas dentro das salas de aulas, há também a convicção de que a categoria está sendo usada por interesses políticos.

Não é possível esconder as dificuldades enfrentadas pelo ensino público. Na rede estadual, são evidentes. Foi necessário rearrumar totalmente a casa, processo ainda em curso, depois de uma administração desastrada que bem pode ser ilustrada com o fato, já repisado tantas vezes, de que cerca de dez titulares chegaram a passar pela cadeira de secretário.

Não há organização, não há rotina, não há metodologia que possa ser implantada com tamanha rotatividade na gestão. Considerando que cada um que chegava remontava a equipe, tem-se a ideia aproximada do tempo que se perdeu.

Se o governo atual não faz nenhuma revolução no setor, é necessário reconhecer os avanços que empreende, a bem da gestão da educação, como a implantação de um sistema eletrônico específico, por meio do qual é possível acompanhar o desempenho das escolas, dos alunos e dos professores.

A equipe hoje no comando da secretaria tem histórico de compromisso com a causa da educação.

Embora seja um instrumento legal, a greve é usada de forma tão rotineira no RN que faz crer que o radicalismo parece a única forma de “negociar”. E não é.

Fica ainda a impressão de que é mais vantajoso usar os milhares de estudantes como escudo, ameaçando ainda mais a carreira escolar deles.

A educação pública no país e no RN não é um mar de rosas – é um fato. Precisa avançar. O compromisso de todos – muito além do mimimi partidário e político - ainda é o melhor caminho para alcançar a eficiência.

Editorial publicado pelo Novo Jornal, edição 1312, ano 4, em 14 de fevereiro de 2014.